Recomeçar | Esperança

segunda-feira, 19 de setembro de 2016





Talvez eu tenha muito a dizer mas o medo me permite apenas observar a tempestade que se anuncia. Não há nada inédito ou extraordinário no que está acontecendo. São apenas pés errantes dançando, perdendo o equilíbrio entre músicas, sonhos e saudades. 



Inês havia se acostumado ao peso das angústias e frustrações. Já não sorria mais com a alma, nem dançava quando sua canção favorita tocava. Perdeu a vontade de mostrar sua voz. Não havia mais melodia em sua fala. Estava esquecida entre o som do despertador e o boa noite do noticiário. Não escrevia cartas, nem cuidava de suas magnólias. Sua cor de fogo, que antes incendiava todos a sua volta, estava repleta de cinzas que traduziam a alma de Inês. Ela era uma mulher tão repleta de sons, sorrisos e amor, havia se tornado alguém habitado por saudades e incertezas. Quando Henrique chegou ela não sorriu. Não mergulhou no verde de seus olhos em busca de novamente ter esperança. O doce sabor de seus lábios não quis provar, nem mesmo aceitou o toque de seus dedos em seus cabelos. Fugiu precisamente do que se escondia atrás de cada sorriso. O que havia por detrás de cada ligação, abraço ou comentário sobre Djavan era o que lhe apavorava. Inês já havia pertencido a alguém que não soube ser dela, já conhecia os caminhos até a paixão.  Henrique descobriu no olhar de Inês que o amor nem sempre chega na hora certa para os dois. A dor que ela sentia não o afastava, mas fazia buscar ser cura, ser tempo, afago que o coração dela tanto precisava...


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Ao som de Djavan, Se acontecer

E a vida segue cada vez mais breve..



Domingos Montagner morreu no auge de sua carreira, foi o que disseram. Excelente artista circense, morreu com 54 anos, li em algum lugar. O que ninguém falou é sobre os planos que ele fazia em família. Sobre os sonhos que tinha quando a câmera estava desligada, quando o currículo não o definia. 

A gente ouve tanto sobre o que ter, como ser, quem agradar, mas em qual momento essas coisas passam a ser o norte que devemos perseguir? Somos mais que o número de CPF, somos as histórias que nos fazem rir e as lágrimas que rolam vez ou outra. Somos as risadas à mesa e os hiatos não vividos.

‘A vida é um sopro, e daqui a pouco já se foi. Não há tempo a perder. Não há outro caminho a ser trilhado. Não haverá outro dia para dizer que ama, que é importante ter a amizade daquela pessoa. Não terá outra oportunidade para pedir perdão ou dizer que sente muito.’

A vida segue cada dia mais breve...


Setembro (e se for tarde demais ...)

quarta-feira, 14 de setembro de 2016



Ao som de Dias melhores

É em setembro que nos damos conta de que o ano está próximo do fim; é quando percebemos que não tivemos um inverno decente no Rio de Janeiro e novamente a primavera chega com seu calor implacável, anunciando que o verão será causticante. A minha relação com setembro nunca foi simples. É neste intervalo de dias que a dores que nunca sucumbem costumam se mostrar mais, assim como as saudades jamais curadas. Foi num setembro que vi o céu se pintar de laranja e o sol se despedir com espetáculos únicos, dia após dia. Trinta noites de Vivaldi, janelas abertas e sentimentalidades. Foi em setembro minha maior queda de P.A e também quando enfim aceitei que todos nós ficamos velhos e desistimos de nós, dos outros, dos sonhos.... Este setembro não tem sido diferente de tantos outros e já mostrou suas garras, provocando dores jamais imaginadas. Mas sabe, eu não vou desistir de ver a beleza dos Ipês ou buscar a tranquilidade do que é ordinário, só porque setembro me mostrou mais uma vez o quanto a vida bate pesado.  Ainda que essa mesma vida me faça aprender na marra, eu não vou me entregar. Outros setembros virão e eu não deposito sobre eles qualquer expectativa. Serão apenas trinta dias entre agosto e outubro.

Desassossego

terça-feira, 13 de setembro de 2016





Os dias andavam mais difíceis do que já haviam sido antes. Lágrimas conhecidas para dores recém apresentadas. O aperto no peito se tornou tão presente quanto suas já tradicionais canecas de café. Percebeu que ainda havia saudade, àquela que já havia sido ridicularizada e tantas vezes camuflada. Precisava da leveza, daquela afinidade que ninguém jamais soube explicar, da gargalhada fácil (e quase extinta). 

Ainda há muito a ser dito. Muito a ser escrito. Muito a ser vivido.
Ainda existem ‘’aindas” ...

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